Dienstag, 4. Juli 2017

100 anos da Grande Revolução Socialista de Outubro: Ontem e Hoje

100 anos da Grande Revolução Socialista de Outubro: Ontem e Hoje

Nota da Redação de AND: Dando continuidade a série de artigos em celebração do centenário Grande Revolução Socialista de Outubro na Rússia, publicamos a seguir extratos do texto Ontem e Hoje, escrito por Josef Stalin, camarada de armas de Lenin. O artigo original foi publicado em 13 de junho de 1917 no periódico Soldátskaia Pravda (em português, A Verdade do Soldado) nº 42.
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J. V. Stalin, camarada de armas de Lenin (1917)
A crise da revolução
Três exigências apresentaram Gutchkov e Miliukov1 para não saírem do governo provisório: 1º) restaurar a disciplina, 2º) declarar a ofensiva, 3º) reprimir os internacionalistas revolucionários.
O exército desagrega-se, nele não reina mais a ordem; restaurai a disciplina, reprimi a propaganda de paz, senão pediremos demissão, “anunciou” Gutchkov ao Comitê Executivo na conhecida Conferência do Palácio Mariinski (20 de abril).
Estamos ligados aos aliados, exige-se de nós uma ajuda no interesse da unidade da frente; incitai o exército no sentido de desencadear a ofensiva, tomai providências repressivas contra os que combatem a guerra, senão pediremos demissão, “anunciou” Miliukov na mesma conferência.
O exposto acima aconteceu nos dias da “crise do poder”.
Os membros mencheviques e social-revolucionários do Comitê Executivo fingiram não estar dispostos a fazer concessões.
Em seguida, Miliukov publicou um documento de “esclarecimento” à sua “nota”. Os oradores do Comitê Executivo proclamaram nessa ocasião a “vitória” da democracia revolucionária” e as “paixões se aplacaram”.
Mas a “vitória” mostrou-se ilusória. Depois de alguns dias a “crise” estava novamente declarada; Gutchkov e Miliukov “deviam” ir embora; iniciaram-se inúmeras consultas entre o Comitê Executivo e os ministros, e “ a crise foi resolvida” com a entrada dos representantes do Comitê Executivo para o governo provisório.
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A decisão histórica para um levante armado, 23/10/1917
Os espectadores confiantes deram um suspiro de alívio. Finalmente Gutchkov e Miliukov “foram vencidos”! Finalmente virá a paz, a paz “sem anexações e sem indenizações”. Acabado o massacre fratricida!
Porém, que aconteceu? Nem bem se haviam feito as somas das “vitórias” da chamada “democracia”, nem bem se haviam “enterrado” os ministros demissionários, e já os novos ministros, os ministros “socialistas”, começaram a falar a mesma linguagem que tanto agradava a Gutchkov e a Miliukov! Na verdade “os mortos apegaram-se aos vivos”!
Julgai vós mesmos.
Desde seu primeiro discurso no Congresso Camponês2 o novo ministro da guerra, o cidadão Kerenski, declarou que era sua intenção restaurar no exército uma “disciplina de ferro”. O que vem a ser essa disciplina, di-lo de maneira precisa a Declaração dos direitos do soldado3, firmada por Kerenski, pela qual se confere aos comandantes o “direito de empregar a força das armas... contra subordinados que não executem as ordens”, “durante o combate” (vide ponto 14 da Declaração).
Aquilo com que Gutchkov sonhava, mas não ousava pôr em prática, Kerenski “pôs em prática” de um golpe, cobrindo-o com o estrépito das frases reboantes sobre a liberdade, a igualdade, a justiça.
[...]
Não será talvez verdade que a ordem do dia de Kerenski pouco difere, em substância, das conhecidas ordens do dia imperialistas do governo czarista, segundo as quais “devemos combater até a vitória final, devemos expulsar o inimigo insolente das fronteiras de nossa pátria, devemos libertar o mundo do jugo do militarismo alemão…” etc?
[...]
Nenhuma dúvida é possível. A guerra era e permanece imperialista. Os discursos sobre a paz sem anexações, enquanto se prepara de fato a ofensiva, não servem senão para mascarar o caráter criminoso da guerra. O governo provisório colocou-se claramente no caminho do imperialismo ativo. O que ainda ontem parecia impossível, tornou-se possível hoje graças à entrada dos “socialistas” para o governo provisório. Mascarando a substância imperialista do governo provisório com frases socialistas, reforçaram e ampliaram eles as posições da contra-revolução que avança.
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Os ministros “socialistas” são utilizados com êxito pela burguesia imperialista para seus objetivos contra-revolucionários: essa é a situação atual.
Não venceram os ingênuos “democratas revolucionários”, mas Gutchkov e Miliukov, velhos agentes do imperialismo.
[...]
Mas uma coisa é, contudo, fora de dúvida: a política interna do governo provisório está inteiramente subordinada às exigências de sua política imperialista ativa.
Uma só conclusão se impõe.
O desenvolvimento da nossa revolução entrou em uma fase de crise. A nova etapa da revolução, que irrompe em todas as esferas da vida econômica e as revoluciona radicalmente, galvaniza todas as forças do velho e do novo mundo. A guerra e a ruína que a acompanha, aguçam ao extremo os conflitos de classe. A política de acordos com a burguesia, a política de quem manobra entre a revolução e a contra-revolução torna-se claramente uma política fracassada.
De duas uma:
ou ir adiante contra a burguesia para efetuar a passagem do poder às mãos dos trabalhadores, para pôr fim à guerra e à ruína, para organizar a produção e a distribuição;
ou ir para trás enfileirando-se com a burguesia a favor da ofensiva e do prolongamento da guerra, contra a adoção de medidas decisivas para eliminar a ruína, a favor da anarquia na produção e da política contra-revolucionária aberta.
O governo provisório coloca-se claramente no caminho da contra-revolução aberta.
O dever dos revolucionários é o de unirem-se mais solidamente e fazerem progredir a revolução.
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Notas:
1 - Miliukov e Gutchkov ocupavam respectivamente os cargos de ministro dos Negócios Estrangeiros e ministro do Exército e da Marinha durante o Governo Provisório.
2 - O I Congresso Camponês de Toda a Rússia realizou-se em Petrogrado de 4 a 28 de maio de 1917. No Congresso, os social-revolucionários e os grupos próximos deles estavam em maioria. A imensa maioria dos delegados camponeses das governadorias representava os kulaks, camadas superiores do campo, uma minoria de proprietários de terras.
3 - Decreto sobre os direitos fundamentais dos soldados e marinheiros baixado por Kerenski e aprovado pelos mencheviques e social-revolucionários do Comitê Executivo do Soviete de Petrogrado. Os soldados e marinheiros acolheram-na com comícios de protesto e chamaram-na “declaração da ausência de direitos”.
Referência:
Obras de J.V. Stalin, volume III, 1917, Março - Outubro. Ed. Vitória. Rio, 1953. Traduzido da edição Italiana “Opere Complete”, vol.3, Ed. Rinascita, Roma, 1951.